"Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir". (Amyr Klink)
Textos e mensagens que falam sobre a vida,o saldo perdas e ganhos; e a capacidade do ser humano de ser resiliente e recomeçar sempre.
O Blog COLCHA DE RETALHOS, RECOMEÇOS trás textos e mensagens que falam sobre a vida, e o seu inevitável saldo de perdas e ganhos. O blog aborda também sobre a resiliência, esta capacidade que nós seres humanos temos de transformar os dramas e tragédias humanas em algo positivo , e que de alguma forma, possamos ajudar aos nossos semelhantes.
É Tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos. Romper não é fácil, porém, insuportável é continuar no mesmo lugar. Chega uma hora que migrar é preciso, com outras pessoas, novos "caminhos", outros anseios. Não é necessário mudar o caminho, mas sim, a forma de caminhar.
" Não importa o que a vida fez com você. O importante é o que você faz com o que a vida fez de você. ( Jean Paul satre)
" A solidão leva muitos ao suicídio, e a outros a genealidade"
" Quem vence não é o forte, tão pouco o inteligente, mas aquele que se adapta as situações da vida. Na vida, precisamos ser resilientes."
É Tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos. Romper não é fácil, porém, insuportável é continuar no mesmo lugar. Chega uma hora que migrar é preciso, com outras pessoas, novos "caminhos", outros anseios. Não é necessário mudar o caminho, mas sim, a forma de caminhar.
" Não importa o que a vida fez com você. O importante é o que você faz com o que a vida fez de você. ( Jean Paul satre)
" A solidão leva muitos ao suicídio, e a outros a genealidade"
" Quem vence não é o forte, tão pouco o inteligente, mas aquele que se adapta as situações da vida. Na vida, precisamos ser resilientes."
sábado, 27 de novembro de 2010
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
BUSCA
Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos. (Antoine de Saint-Exupéry)
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
O SONeto do mar”
Todas as manhãs me encanta o mar
Encanta me as gaivotas a cantar
E o bailar das ondas na imensidão do mar.
Ao ocaso, contemplo, pois a tarde não arde, a tarde não dura, a tarde folgura.
Encanta me o laranja do por sol, me emociona a sua travessia de nascer e morrer, a sua permanência de sempre estar.
Deveras, me encanta a brisa do mar.
Na solidão do meu ser, me perco na incompreensão de não me encontrar.
Na inqueitação, me icumbe a vida, a sina de viajar.
Ao caminhar rabisco no papel as letras da minha graça, nesta busca eu me encontro com o mar.
As letras seguem o balanço do mar, a dançar.
Mar, mar, mar.
Nos movimentos cadenciados surge um memorial no meio do mar:
JULImar, cujo nome tem mar e mares para dentro de si.
Sobre a cruz dos meus braços eu me deito e choro, faz- me emocionar, o caminho que a lua faz no meio do mar.
sábado, 13 de novembro de 2010
A arte de ser leve

Leila Ferreira
Tem gente que anda com um enorme bacalhau nas costas. A imagem é usada pela jornalista Leila Ferreira pra descrever aqueles que não conseguem se livrar da carga do mau humor e vão estragando o dia de quem tem o azar de topar-lhes o caminho. Para quem ainda não reconheceu, a autora de A arte de ser leve se inspirou no rótulo de um tônico tradicional, a Emulsão de Scott, que continha o intragável óleo de fígado, e trazia estampado um marinheiro arcado sob o peso do peixe às suas costas. O livro é um antídoto contra os “bacalhaus” que muitas vezes arrastamos pela vida afora.
A autora não pretende em nenhum momento, como a leitura revela, ser a “dona da verdade”, usar de didatismo em receitas fáceis e desgastadas dos livros de autoajuda. Também não quer as complicações acadêmicas. As histórias e impressões vão sendo aos poucos tiradas do cotidiano, da memória, das entrevistas acumuladas em sua carreira com pessoas importantes e dos bate-papos com anônimos.
domingo, 7 de novembro de 2010
DIÁLOGOS NA ESCANDINAVIA
Esperança
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Hoje como sempre conversei bastante com o Daniel. Conversamos sobre a vida, o trabalho, as oportunidades etc. Esse cara para mim é espectacular, pois a sua simplicidade e a forma como ele lê o mundo me fascina. Nessas conversas percebo que o Daniel, eu e outros amigos temos uma forma peculair de ler e entender a realidade, é tão bom poder confessar e partilhar com outros os segredos de um ser inquientante e reflexivo que sou, assim não preciso criar heterônimos como fez Fernando Pessoa. Ele, o Daniel sempre me surpreende com suas frases mal elaboradas, mas cheias de propriedade, em nosos papos, ah! detalhe, nossas conversas acontecessem em algum pais da escandinavia.,este diálogo nasceu nas escadarias da Saint Isaac Church em Saint Petersburg na Rússia.
Em uma dessas conversas, ele foi tão generoso e me disse que seu coração se movia mais pela busca, do que propriamente pelo achado, disse me que no seu coração havia uma inquietação que o tornava um eterno caminhante. Sou partidário desse pensamento, pois o grande desafio humano é resistir à sedução do repouso, pois nascemos para caminhar e nunca para nos satisfazer com as coisas como estão. A insatisfação citada pelo Daniel é um elemento indispensável para quem, mais do que repetir, deseja criar, inovar, refazer, modificar, aperfeiçoar. Assumir esse compromisso é aceitar o desafio de construir uma existência menos confortável, porém ilimitada e infinitamente mais significativa e gratificante. A partir desse diálogo começamos a falar sobre o desafio de viver, mas viver perigosamente assim como Niestchz certa vez exclamou: viva, mas viva perigosamente. Então começamos a tecer um texto sobre as dimensões da vida, sua efemeridade, um texto de exaltação a esperança.Temos hoje um razoável consenso: os tempos estão terríveis, complicados, partilhamos, uma época de grande intranquilidade espiritual, inúmeros padecimentos físicos, de infindos distúrbios existenciais, de profundos dilemas morais. Cabe, porém, uma questão: alguma vez não foi assim? Levando em conta que todo e cada ser humano sempre viveu na era contemporânea, em qual delas não teria valido, então o alerta de Guimarães Rosa de que “ viver é perigoso”?
No entanto, resistimos! A esperança é um princípio vital, expresso na sábia e verdadeira constatação comum de que “ enquanto há vida há esperança”, mesmo face às mais intransponíveis circunstâncias achamos possível ser de outro modo, inventamos e reinventamos alternativas, recusamos a possibilidade de as realidades nos dominarem, e, sem cessar, sonhamos com o mais e o melhor. Em princípio, como para outros animais, as memórias das inevitáveis e sofridas experiências cotidianas deveriam nos deixar com medo da repetição, o temor cauteloso pelo retorno da sensação ruim e, até, um impulso em direção ao desalento. Contudo, de novo, resistimos.
É por isso que, em pleno Renascimento do século 16 no mundo ocidental, o magistral Michelangelo dizia que “ Deus concedeu uma irmã à recordação, e chamou-lhe esperança”. Essa ideia foi retomada no século 19 pelo francês Victor Hugo, não por acaso um dos expoentes máximos do Romantismo, que afirmava ser “ a esperança uma memória que deseja”; e, ainda, na obra Os Miseráveis, o mesmo autor nos instiga, afirmando que “ julgar-se-ia bem mais corretamente um homem por aquilo que ele sonha do que por aquilo que ele pensa”. Fantástico! Li sobre isso na faculdade, mas só compreendi anos depois, era uma questão de maturidade e “acontecências”.
Sonho aí não significa, claro, devaneio inútil ou delírio; sonho nessa acepção é o lugar do não-pronto, mas, desejado, ansiado, querido. Nessa direção, também o Oriente nos socorre com a milenar inspiração que anima os escritos de Zhou Shuren, mestre da moderna literatura chinesa, conhecido pelo pseudônimo literário Lu Xun; escreveu ele que “ a esperança não é nem realidade nem quimera, ela é como os caminhos da terra: sobre a terra não havia caminhos; eles foram feitos pelo grande número dos que passam”.
O dinamarquês Jacob Riis considerado o primeiro fotojornalista dedicou sua arte na transição do século 19 para o 20 a escancarar a magnitude dramática da pobreza urbana; publicou centenas de fotografias daquelas que Victor Hugo imortalizaria como miseráveis, mas plenos de esperança. O fotógrafo consignou a humana capacidade de não desistir em uma belíssima imagem, ao dizer que “ quando nada parece ajudar, eu vou e olho o cortador de pedras martelando sua rocha talvez cem vezes sem que uma só rachadura apareça. No entanto, na centésima primeira martelada, a pedra se abre em duas, e eu sei que não foi aquela a que conseguiu, mas todas as que vieram antes”.
Os excessivos pragmáticos ou os chamados”idiotas da objtividade ” diriam ser esta uma concepção piegas; são esses, com muita probabilidade, incapazes de compreender a esperança como produtora de futuro e aniquiladora da dureza do existir. Assim, não perceberiam a profunda beleza contida na lenda atribuída ao, também cortador de pedras, Michelangelo. Ao ser perguntado sobre como fizera a escultura de Davi com 4,5 metros em um só bloco de mármore, eu acho que essa escultura está guardada hoje na Academia de Belas artes de Florença, ele disse: “Foi fácil, fiquei um bom tempo olhando o mármore até nele enxergar o Davi. Aí, peguei o martelo e o cinzel e tirei tudo o que não era Davi”…
Enfim, sempre tentei caminhar no prumo da normalidade da existência, algo quase impossível para mim, porém, se não tributarmos um pouco de poesia a nossa vida será insuportável viver num mundo tão normal, eu aprendi com a rainha Sílvia que o mundo tem o nosso tamanho, mas as minhas acontecências me ensinaram que é preciso ter um outro olhar, da vida e de tudo que compõe a colcha de retalhos que é a nossa existência. Então faça como Michelangelo, tire tudo que não é Davi de sua vida.
sábado, 2 de outubro de 2010
CONVIVENDO COM AS PERDAS
Todos um dia passarão por momentos difíceis, terão de superar perdas ou conviver com realidades doloridas. Acontece que a imagem que temos dos outros é aquela que nos é passada, da qual tomamos conhecimento. Muitas dessas dores e perdas nem chegam ao nosso saber, assim como muitas das nossas dores e perdas não são derramadas no mundo. A superação acaba sendo um processo contínuo, diário, e, na maioria das vezes, interior. Tomamos algumas pauladas da vida e somos obrigados a aprender a conviver com os hematomas, a adaptar a nova circunstância que se impõe.
Daí que um dia nos chegam aos ouvidos os dramas vividos por alguém, aquele alguém que nem imaginávamos ter passado por tanta coisa. Ter contato com estas histórias e com a forma com que estas pessoas deram a volta por cima faz nascer na gente uma força extra. Faz-nos perceber que a felicidade é possível, que o recomeço é possível, que os problemas virão, mas precisamos ter forças para enfrentá-los e vencer. Cheguei à conclusão que quanto mais humanos nos tornamos, mais nos dói a dor alheia, por isso compartilho com vocês às minhas " vivências e acontecências , para que as pessoas consigam enxergar que, mesmo quando o mundo parece desabar em nossas costas, ainda assim há esperanças.
“Não tenho mais a pretensão de entender o que está por trás do mistério das perdas que sofri. E desconfio um pouco de quem tenta me fornecer uma explicação”
Recomeçar hoje e sempre .
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
NÓS NÃO NASCEMOS PRONTOS

"Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta e vai se fazendo."
O grande desafio humano é resistir à seduução do repouso, pois nascemos para caminhar e nunca para nos satisfazer com as coisas como estão. A insatisfação é um elemento indispensável l para quem, mais do que repetir, deseja criar, inovar, refazer, modificar, aperfeiçoar.
Assumir esse compromisso é aceitar o desafio de construir uma existência menos confortável, porém ilimitada e infinitamente mais significativa e gratificante. ( Mario Sergio Cortella)
SÉRIE RECOMEÇOS: RECOMEÇAR DO ZERO
Você já quis ter uma borracha especial para apagar algo que fez, que aconteceu, algo que doeu tão fundo ou teve conseqüências tão graves que você daria tudo para voltar atrás e recomeçar?
Há muitos que dariam tudo na vida para recomeçar do zero, ter uma nova oportunidade para agir diferente, tomar outras decisões, fazer diferentes escolhas. E eu sei que muita gente já recomeçou uma nova vida, já deu uma volta importante que fez com que os caminhos mudassem de direção e isso sempre é possível.
Mas não é possível recomeçar do zero. Recomeçar do zero não existe! Não existe fingir que não houve um passado e não estar ligado a ele de alguma forma. Não existe zerar o coração, nem as emoções, mesmo se passássemos nosso tempo voltando os ponteiros do relógio.
A verdade é que se pudéssemos recomeçar do zero, numa amnésia existencial, cometeríamos erros novamente, choraríamos de novo... porque não traríamos conosco essa carga de experiência que carregamos hoje, que às vezes até pesa, mas é nossa e isso não podemos negar, nem renunciar.
E é melhor assim: acreditar que tudo o que fizemos valeu de alguma forma. Erramos? Sim, e daí? Aquilo que reconhecemos como erro não faremos novamente e cada vez que tropeçamos e aprendemos com isso, colocamos algo mais na nossa bagagem da vida.
Lamentar por algo que não se teve? Que perda de tempo! As lamentações pelo que não fizemos não acrescenta nada na nossa vida. Precisamos viver de coisas concretas, do que realizamos, do que tivemos, mesmo se as perdemos.
Quem nos julga deveria julgar-se primeiro. Ninguém é de todo bom ou de todo mal. Não existem pessoas melhores que as outras, apenas as que ainda querem aprender e as que já perderam a esperança. Quem não chora por fora, chora por dentro, a diferença é que nesse caso ninguém percebe.
É possível recomeçar a vida, com novas ambições, fazer do velho, o novo e com uma grande vantagem: dessa vez existirão os parâmetros de comparação, as chances serão maiores de tomar decisões acertadas.
Então, acredite: tudo o que você viveu até agora valeu a pena porque é dessa vivência que você tira o seu aprendizado.
Se você tem 30, 50 ou 80 anos, você pode fazer sua vida diferente ainda, você pode olhar o mundo com olhos novos. Deus não condena ninguém. São as pessoas mesmas que condenam-se quando cruzam os braços, imobilizam as pernas e colocam uma venda nos olhos.
A vida continua, muitos desistem, mas ela continua. E ela é muito mais rica para aqueles que abrem os braços ao futuro, dão as mãos ao passado e recomeçam. Essas pessoas jamais sentirão-se sozinhas.
Recomeçar hoje e sempre, pois "Amanhã Tudo será diferente", próxima mensagem
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
A DESCOBERTA - O TEMPO DA TRAVESSIA
A cada manhã, a cada por do sol tenho descobrindo algo novo. Às vezes em que tenho a oportunidade de olhar para o horizonte, diante do oceano Atlântico, eu sempre viajo para dentro de mim e percebo como é belo o nosso processo de feitura, pois nós não nascemos prontos, a cada dia que morremos, nascemos outra pessoa, com outro olhar, isso para mim é mágico, belo, encantador. Saber que você nasce não pronto, e vai se fazendo a cada dia.
Às vezes reflito comigo mesmo. O que é maior: os que escalam a montanha ou a montanha? Os barcos que saem ou o oceano que os recebe? Somos todos pequenos, e ao mesmo tempo imensos: esse é o delicioso paradoxo do êxodo e do êxtase do encontro. Na minha vida eu nunca fui acomodado, porém o medo do desconhecido me vencia. Então descobri que a minha realidade não era o meu destino, descobri que somente eu poderia mudá-la, descobri que para sonhar é preciso ter coragem, descobri que o fracasso só será definitivo para aqueles que o compreenderem como ponto final (.) da obra. Descobri que é melhor encará-lo como reticências (...)
O meu filósofo do coração, Friedrich Nietzsche diz que nós somos o que comemos, concordo com ele plenamente. Pois, feliz foi o dia em conheci Fernando Pessoa, e passei a beber e comer de sua generosidade com a humanidade, pois lendo e fruindo cada verso de Pessoa, doravante, eu decidi partir ao meu encontro como os versos que seguem abaixo:
Às vezes reflito comigo mesmo. O que é maior: os que escalam a montanha ou a montanha? Os barcos que saem ou o oceano que os recebe? Somos todos pequenos, e ao mesmo tempo imensos: esse é o delicioso paradoxo do êxodo e do êxtase do encontro. Na minha vida eu nunca fui acomodado, porém o medo do desconhecido me vencia. Então descobri que a minha realidade não era o meu destino, descobri que somente eu poderia mudá-la, descobri que para sonhar é preciso ter coragem, descobri que o fracasso só será definitivo para aqueles que o compreenderem como ponto final (.) da obra. Descobri que é melhor encará-lo como reticências (...)
O meu filósofo do coração, Friedrich Nietzsche diz que nós somos o que comemos, concordo com ele plenamente. Pois, feliz foi o dia em conheci Fernando Pessoa, e passei a beber e comer de sua generosidade com a humanidade, pois lendo e fruindo cada verso de Pessoa, doravante, eu decidi partir ao meu encontro como os versos que seguem abaixo:
”Pois há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma de nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. “É preciso ter coragem...
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
IR LÁ E VER - VIAJAR PARA ENTENDER O QUE É SEU
Um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver. (Amyr Klink)Foi com esta frase em mente, de um texto do Amyr Klink, que entrei no avião rumo a uma nova vida, Tenho acreditado, sim, saber o porquê daquele gigante passo na minha vida. Aprender uma nova língua, conhecer pessoas diferentes e visitar pontos turísticos eram os motivos que me levaram a cometer tal ato. Como qualquer mortal, senti nervosismo e a dúvida “será que estou fazendo a coisa certa” surgiu esse pensamento em todo o processo da viagem. Estudar fora, trabalhar, ainda mais em vários lugares do mundo, não é um caminho que a maioria das pessoas escolhe encarar. Quando cheguei a bordo e presenciei pessoas de varias partes do mundo, diversas nacionalidades e línguas, pois temos aqui no navio tripulantes Filipinos, Indonésios, indianos, colombianos, mexicanos, Hondurenhos, Romenos, Angolanos, argentinos, brasileiros, portugueses, poloneses, e alguns ingleses e franceses.
Felizmente, meus objetivos foram alcançados, o idioma inglês foi aperfeiçoado, aprendi espanhol, conheci 17 paises e mais de 30 cidades ao redor do mundo, lugares diferentes e exóticos e uma nova lista de amigos de todas as partes do mundo e também realizei outros sonhos. Porém, muito mais do que isso, pude entender na essência o que Amyr Klink quis dizer. Descobri que muito mais que uma simples viagem, minha vida e minha cabeça mudaram completamente. O olhar sobre todas as coisas, o jeito de encarar a vida, a valorização dos detalhes, a forma de me relacionar com as pessoas e compreender os laços sociais e culturais de cada um. Essa nova fase da minha vida me faz rememorar sempre os versos do poeta Amazonense Thiago de Melo “Não é necessário mudar o caminho, mas sim, a forma de caminhar.” Essa nova fase tem me proporcionado um novo olhar sobre á vida e as pessoas.
Parece exagero e algo muito poético, mas para entender tudo isso é preciso vivenciar. É algo pessoal e intransferível, que só faz sentido quando você chega de volta a sua casa e começa a reparar que aquela pessoa que saiu de lá tempos atrás não existe mais, e saber que você é outra pessoa, uma pessoa melhor.
Hoje sei que não importa o quão você acredita estar preparado para o que irá encontrar lá fora, tudo irá te surpreender. Serão cenas, músicas, objetos, cores, cheiros, idiomas, pessoas, enfim, tudo que não adianta buscar por outros meios que não seja o de “ir lá e ver”. Quem pensa que a infância é a melhor fase da vida é porque ainda não teve a coragem de lagar o conforto da “sua casa, ou seja, qual for o seu porto seguro e caminhar pelo mundo, pois caminhar é preciso
“Ouse sonhar. Ouse lutar. Ouse vencer.”
“If you can dream it, you can do it”.
Julimar Chaves
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Idealizadores frustrados
O conceito de perfeição é amórfico porque nos remete uma realidade etérea. Não sugere caminho possível aos nossos pés, mas realidade distante, inacessível. O conceito de perfeição não sugere movimento, realidade pronta, acabada. Quiseram nos educar para coragem e uma vida de vitórias sempre, mas esqueceram de nos mostrar a fraqueza como parte integrante da força.
Desarticularam as partes do todo, fragmentaram a realidade, quiseram nos entregar o pódio, mas esqueceram de dizer que o pódio só é possível depois do treinamento e que o tempo de treino é o tempo do reconhecimento e da superação dos limites.Quiseram nos ensinar o sucesso, mas esqueceram de nos dizer que ele é processual e que as partes que o constituem costuma ser feitas de pequenas derrotas. Esqueceram que fracassar faz parte da trajetória. As quedas fortalecem a caminhada na maioria das vezes que caímos.
Essa desarticulação gerou em nós o perigo das idealizações. O real, quando dissociado da luta, transforma-se em fator alienante e, por isso, nocivo. A idealização não comporta defeitos e limites, mas projeta –se em caricaturas revestidas de uma cera frágil que lhes empresta feições perfeitas . No entanto, com o tempo tudo se quebra, tudo se fragmenta, porque a vida não é perfeita. O real da existência é fruto da conjugação de limites e possibilidades.
A vida nada mais é que uma sucessão de encontros e desencontros, sobe e desce, riso e choro, perdas e ganhos, e é fato, o saldo de perdas sempre será maior que os ganhos. Precisamos entender que o precário está em tudo o que é criado. È estatuto irrenunciável da condição humana.
Amigos leitores, não quero ser pessimista, muito menos fazer apologia ao derrotismo e ao fracasso, pelo contrário, o meu desejo é que o mundo saiba que nós não somos perfeitos, somos eternos aprendizes, somos seres inacabados, e que a verdadeira força esta em reconhecer a nossa fragilidade e a nossa capacidade de resiliência, que nos possibilita sempre recomeçar. Pois na vida minha ao invés de parar, eu continuei, ao invés de me calar eu resolvi escrever o que vocês sentem, encontrei muitas pedras pelo meu caminho, hoje eu construí um castelo, e a cada dia este castelo têm seus muros e torres ornados e fortalecido a cada dia. Vou encerrar este texto com versículo bíblico que eu adoro: “Diga o fraco eu sou forte”
Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos. (Antoine de Saint-Exupéry)
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