
Leila Ferreira
Tem gente que anda com um enorme bacalhau nas costas. A imagem é usada pela jornalista Leila Ferreira pra descrever aqueles que não conseguem se livrar da carga do mau humor e vão estragando o dia de quem tem o azar de topar-lhes o caminho. Para quem ainda não reconheceu, a autora de A arte de ser leve se inspirou no rótulo de um tônico tradicional, a Emulsão de Scott, que continha o intragável óleo de fígado, e trazia estampado um marinheiro arcado sob o peso do peixe às suas costas. O livro é um antídoto contra os “bacalhaus” que muitas vezes arrastamos pela vida afora.
A autora não pretende em nenhum momento, como a leitura revela, ser a “dona da verdade”, usar de didatismo em receitas fáceis e desgastadas dos livros de autoajuda. Também não quer as complicações acadêmicas. As histórias e impressões vão sendo aos poucos tiradas do cotidiano, da memória, das entrevistas acumuladas em sua carreira com pessoas importantes e dos bate-papos com anônimos.
O livro aborda sobre gentileza, bom humor, desaceleração e felicidade; estes são alguns dos temas discutidos de forma inteligente e divertida pela autora. Ela reflete a partir de ínúmeros depoimentos, sobre a possibilidade de se viver de forma menos complicada. O livro "A arte de ser leve" alerta para o perigo de emagrecermos o corpo, mas ficarmos com obesidade mórbida de espírito, o melhor seria uma dieta para a alma. No meu ver o livro fala sobre assumirmos uma certa elegância existencial, é o que todos nós precisamos, acho eu.
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